ah, é o meu jeito…

acredito que todo mundo já ouviu ou já falou a frase “é só o meu jeito” ou “eu sou assim mesmo”, eu mesmo tenho plena certeza de que já…

acredito que todo mundo já ouviu ou já falou a frase “é só o meu jeito” ou “eu sou assim mesmo”, eu mesmo tenho plena certeza de que já falei, falo e falarei. usualmente elas são ditas quando queremos justificar ou normalizar algum comportamente questionável ou problemático que tivemos.

é muito cômodo e prático usarmos frases assim para blindarnos de críticas ou criar saídas para situações onde não queremos nos desculpar de verdade por nossas ações. “nossa, desculpa por te ofender, é o meu jeitinho”, “eu nem percebi que fui grosso, sou assim mesmo”, “eu não te respeitei? não foi por querer, eu falo assim”.

eventualmente todos falamos isso, acontece e tudo bem, desde que não seja um reflexo do que somos, somente uma característica menor que não representa nosso todo, um algo momentâneo e passageiro.

o problema é quando tais saídas são usadas constantemente, por pessoas que na verdade não passam de grandes babacas. babacas que se temos apenas contato pontual em nosso dia a dia vamos relevando, a interação com determinado sujeito pode ser tão pequena ou ligeira que nem vale a energia de pensar mais do que 30 segundos nisso.

a coisa muda de figura quando falamos de convívio constante.

como no ambiente de trabalho, que é onde mais vejo acontecer. é bem comum, pelo menos na minha pouca experiência, existirem muitas pessoas no mundo corporativo que usam as frases citadas somente para mascarar comportamentos deploráveis.

no jeito que fala, interrompendo os outros em reuniões, sendo rude, grosseiro ou desrespeitoso, já vi inúmeras vezes acontecer para logo depois do ocorrido a própria pessoa ou algum outro bradar um “liga não, sempre foi assim”, como se ao falar isso a pessoa ganhasse uma carta livre da prisão e pudesse se comportar de qualquer forma com os pares.

carta que usa indiscrinadamente e que se a pessoa for competente no que faz passa a ser vestimenta diária e cotidiana.

“o fulano tem esse jeito difícil dele mas é um ótimo profissional, muito inteligente, sabe de tudo, então se lidar bem com ele vai ficar tudo bem e seremos todos uma família feliz.”

será que alguém que as pessoas tem que justificar o comportamento intragável é de fato um bom profissional? ou será que tal pessoa apenas usa de sua capacidade de resolução como chantagem para ser aceito? será que já não passou da hora de chegar em tal pessoa e dar uma chamada mais incisiva naquele comportamento?

acontecer de vez em quando, tudo bem, não estamos sempre alegres e contentes com o mundo e as vezes tratamos os outros de forma ruim mesmo, não é justificativa, mas a vida é difícil demais para nunca errarmos, nós ou o outro podemos apenas ter tido azar no momento.

então não se martirize se já foi assim com o próximo, pode ter sido apenas um dia átipico, peça desculpa, melhore e siga com a vida.

agora, se você perceber que tem usado demais o seu jeitinho como desculpa, talvez esteja na hora de pensar: “sou eu o babaca?”.