o amadorismo como forma de ver o mundo

ou, seja um pouco de tudo

eu diria que sou um adepto do amadorismo profissional.

sei me virar bem na cozinha, mas não sou nenhum masterchef. conheço um pouco de música, mas não sou profundo erudito. não sou atleta, mas levanto uns pesos na academia. não faço parte de um time de e-sport, mas não envergonho tanto em jogos. minhas fotos nem sempre estão bem enquadradas e focadas, mas muitas me até que são bonitas. 

a escrita? basta ler para ver que não sou nenhum machado nem pessoa.

posso não ser ótimo em muitas coisas, mas até que faço um bom tanto de coisas de forma medíocre. me divirto ao tentar e quebro a cabeça em como melhorar um pouquinho que seja, só pelo prazer de saber que consigo.

não quero e nem tento ser excepcional em múltiplas áreas. nem mesmo em uma única. me contento em ser razoável em várias. ou pelo menos poder dizer que já tentei e fiz.

sou tal qual um pato, que nada, mergulha, anda e voa mas não faz muito bem nenhum dessas coisas. ou ainda homer simpson que, apesar de ser a representação da burrice e falta de senso, de alguma forma já foi astronauta, ótimo dançarino e árbitro de futebol.

e estou feliz com isso, tentar e as vezes ter algum sucesso em uma área nova é realmente uma sensação recompensadora.

e isso eu tento levar como característica da minha vida. tentar sempre que possível, fazer mesmo com medo e vergonha. nem sempre dá certo, claro.

sou péssimo em qualquer arte manual. nunca fui muito longe em desenhos e pinturas, a ideia até vem na minha mente, mas nunca consegui transformar o que imagino nem em um esboço.

o máximo que faço são personagens de palitos disformes e sem padrão algum. nem mesmo pra colorir desenhos prontos sirvo muito.

e tá tudo bem com isso. saber que nem tudo podemos e conseguimos me parece algo natural, talvez até saudável. é importante entender nossas limitações e onde não conseguimos ir muito a fundo.

isso faz parte do nosso processo de aprendizado, não só de um tópico novo mas sobre nós mesmos. isso nos cria bagagem, expande conhecimento e prepara para situações variadas.

você pode não saber fazer uma casinha com um belo quintal e um sol amarelo, mas pode ter conhecido um ou outro termo técnico e que monet e manet são dois caras diferentes para não ficar perdido numa conversa sobre isso ou numa ida ao museu.

talvez você não consiga produzir vídeos e filmes ou fazer efeitos especiais, mas ao estudar sobre o tema sua capacidade de admirar e compreender aumenta e agora aquele filme muito estranho e cabeçudo não parece mais tão difícil assim.

ou mesmo você mostra na sua vida e no seu trabalho que é alguém com potencial de aprender e se virar, uma pessoa que tem curiosidade sobre o mundo e suas conexões, que busca constantemente entender, mesmo quando não consegue executar com perfeição ou dominar plenamente.

praticar o amadorismo em vários assuntos acaba te proporcionando vivências, mesmo que apenas dentro das vozes da sua cabeça. te abre possibilidades de descobrir um hobby novo, redescobrir gostos perdidos e habilidades falhas mas que podem vir a serem úteis um dia. ou que apenas são legais de ter.

quem sabe não é numa dessas tentativas que aprende um novo caminho de vida ou constrói relações, com pessoas antigas ou recém conhecidas.

provavelmente a maior parte das experiências não serão iluminadoras e arrebatadoras, mas o que importa não é necessariamente o resultado, e sim a tentativa e o descobrimento.

por isso digo que sou profissionalmente um amador. nem sempre o que me proponho funciona ou é bom, mas é tentando que vou descobrindo.


rabiscados

tirinha do paulo moreira


já ia esquecendo

  • esse vídeo que fiz com algumas cenas do fim desse verão português:

cartaz do filme pequanas cartas obscenas