não sou de direita, nem de esquerda, sou de centro. sou do brasil. sou pra frente. sou de pensar.
não sou de direita, nem de esquerda, sou de centro. sou do brasil. sou pra frente. sou de pensar.
é uma afirmação bem comum de se ver por aí, vinda principalmente de pessoas que se dizem contra política, que querem apenas um país melhor, etc. etc.
eu entendo muitos que pensam assim, acredito que algumas pessoas realmente acham que isso é algo lógico, é uma ideia tentadora a de se colocar acima de rótulos usados e ligados à corrupção, escândalos e tanta coisa ruim que vemos diariamente nos noticiários e grupos de whatsapp.
mas, faz sentido? não, nem um pouco.
sabe quando na escola tínhamos (ou ainda temos em alguns casos) que criar um gráfico que possui os eixos x e y? para cada x e y uma reta ou curva poderia ser desenhada.
podemos usar a mesma ideia para entender melhor o que é direita e esquerda.
pense primeiro na economia, ela será o nosso x (horizontal), na extrema direita não teria controle estatal e na extrema esquerda um controle total. já o y (vertical) é a nossa escala social, quanto mais para baixo mais liberdade individual e quanto mais para cima menos.
eu sei que essa visão pode não ser perfeita e completamente acurada, mas dá para ilustrar o ponto de que existe uma infinidade de combinações entre a parte econômica e a parte social, cada uma encaixando em um quadrante do espectro.
com isso podemos supor que é muito improvável alguém não estar representado dentro desse gráfico, nele temos de tudo, trumps, lulas, fideis, merkels, hitlers e mandelas. todo mundo mesmo.
então qual a razão de não ser de direita nem de esquerda?
o que me vem à cabeça é tentar se distanciar da política e políticos de forma geral ganhando uma sensação de superioridade, de que não está interessada em ideologias, apenas “no que é melhor para o país”.
o problema dessa linha é não entender que tudo é política e até mesmo essa forma de pensar é uma ideologia, achar que ao se colocar de fora você não participa mais do jogo é muita ignorância ou ingenuidade, no caso do cidadão médio, claro. no caso de políticos ou a aspirantes é só o puro suco da pilantragem.
precisamos entender que todas as nossas decisões, ou falta delas, é uma questão política. de qual papel higiênico comprar até qual a visão sobre se é bom ou não privatizar uma estatal qualquer, tudo é política.
tentar passar um verniz de suposta despolitização não serve de nada, é necessário consciência de que estamos inseridos em um mundo político recheado de diversidade de pensamentos e ideologias.
quem fala que não gosta de um ou de outro sempre pertence claramente a um dos lados, só não quer aceitar isso, e no brasil isso acaba quase sempre sendo um alinhamento à direita.
pessoas com afinidade a alguma frente mais à esquerda, normalmente, não tem problema em aceitar o que são e qual grupo pertencem. (existem exceções, claro, seja por falta de entendimento ou mesmo por vergonha)
acredito, baseado no instututo DC (dados da minha cabeça), que sempre alguém mais relacionado com posições direitistas que acaba usando discursos de isenção política.
são pessoas que claramente apoiam partidos ou pessoas pelo menos de centro-direita, que apoiam pautas de direita, que odeiam “esquerdistas comunistas”, que acham socialismo ideia de vagabundo, que curtem uma privatizaçãozinha.
muitos gostariam até uma ditadura se você perguntar depois de uma ou duas cervejas.
não serve à ninguém essa fachada, apenas a quem usa isso como manipulação, então larga mão e aceita sua posição, pelo menos seja honesto consigo.
direita e esquerda são muito mais do que dois pontos simples, são espectros complexos e multidimensionais de visões de mundo, não uma definição única e simples, e você está em algum canto desse espectro, gostando ou não, então para de falar nem direita e nem esquerda e começa a pensar quais são seus ideais e quais suas pautas.