paris, a primeira vez na vida que fizemos uma viagem internacional.
paris, a primeira vez na vida que fizemos uma viagem internacional.
juntamos dinheiro o ano todo, me preparei, fiz listas de inúmeros locais que visitar, li todos os “melhores lugares para se visitar”, “atividades imperdíveis”, “top x lugares que ninguém conhece (mas é claro que um monte de gente conhece)”, vi todos os vídeos possíveis sobre o que fazer, não fazer, evitar golpes e dicas imperdíveis que nem são tão imperdíveis assim.
o tamanho da ansiedade foi aumentando de forma inversamente proporcional em relação à distância da data do voo. cada dia que passava eu tentava ver mais coisas, aprender mais e ver tudo que podia sobre.
a semana final chega, então o dia e as horas.
leva roupa pra frio, pra calor, remédio, chinelo, calça, escova, não esquece os cadeados, documentos, passaportes, passagens. ah, o dinheiro, não vai largar na mesa. e os cartões? e o seguro? tá com tudo certo? deixa as chaves na portaria pros seus amigos cuidarem do cachorro nessa semana, volta, esqueceu algo? não, tá tudo certo. tá com tudo mesmo? vai logo senão vai atrasar, o que ficar ficou.
pego as malas e vamos para o aeroporto, onze horas de voo, zero minutos de descanso em uma poltrona dura e desconfortável. mas pelo menos a comida do avião era decente. talvez um sinal de como seriam as coisas. deve dar tudo certo. vai ser tudo tranquilo.
pousa. nada diferente ainda. chega no desembarque, fila quilométrica para a imigração, anda e para, anda e para. suor e gente fedendo, criança chorando e criança rindo. chegamos no guichê, olha pro agente, entrega a documentação. “bounjour”. apenas um murmúrio de volta, ixi, talvez sejam sem educação e chatos mesmo. recebe o documento e tem a liberação, “merci”, sem resposta.
agora é ir pegar a mala e comprar as passagens de metrô. máquina de ticket não aceita a nota, outra não funciona, acha uma e paga no cartão mesmo. o sono tá batendo e até agora nada diferente, pega o trem, desce na estação e se perde de leve. resolvemos sair por uma saída qualquer. aproveitamos e compramos os tickets de transporte que faltavam. sai da estação.
e tudo muda.
o sol está brilhando forte, deve ser perto do meio-dia já. o dia está lindo. o ar é diferente, não necessariamente melhor ou pior, mas diferente. primeiras fotos e deslumbramentos. chegamos no hotel, check-in, sem pessoas chatas ou mal-humoradas, larga tudo na cama, toma um banho e sai, deixa os planos de lado e só vai andando.
chega num parque, vê a vida, vê turista, vê gente local. aproveita.
(originalmente escrito em algum momento de 2019)