relatividade temporal pré-férias

olho pro relógio e são 09:00 da manhã, faltam três horas para eu sair do trabalho hoje. me matei o mês todo para compensar as horas, cada…

olho pro relógio e são 09:00 da manhã, faltam três horas para eu sair do trabalho hoje. me matei o mês todo para compensar as horas, cada segundo parece valer por dois, o tempo se arrasta.

não tenho mais muito o que fazer, deixei tudo no jeito para hoje, já mandei os e-mails que precisava, alinhei tudo que estava fazendo e estou pronto para as gloriosas férias.

eventualmente um ou outro aparece para perguntar algo ou eu mando outro e-mail de algum assunto que achei melhor reforçar. começo a caçar o que fazer com medo de que está tudo certo demais, não é possível que eu tenha arrumado tudo e não esquecido nenhum detalhe que vai aparecer e me assombrar daqui três dias.

reviso tudo, reavalio alguma coisa e começo a enrolar, vejo que não tem mesmo muita coisa para fazer.

desço, vou tomar o café que não consegui em casa. pego um pão na chapa e me sento numa mesa ao ar livre, como com calma, apreciando meu café espresso não tão bom assim. olho no celular, vejo as notícias do mundo da moda, as merdas do governo, esportes, me atualizo no twitter e resolvo voltar para a mesa.

no caminho encontro alguém que fica no mesmo andar que eu, damos aquele bom dia de educação e o silêncio instaura. do térreo ao sexto andar nós olhamos para as paredes, para o celular e para as notícias que tem no monitor ao lado da porta, ao chegar em nosso destino saímos e mandamos o famoso aceno de cabeça corporativo que não quer dizer nada mas serve para algo.

dou uma passada no banheiro para lavar o rosto cansado e depois pego mais um café da máquina do andar, que vai dar aquela azia.

sento, desbloqueio o computador. são 09:05 da manhã.

(escrito em algum momento de 2019)